quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Êxito completo nos Debates Arfoc - Fotojornalismo

ÊXITO COMPLETO NOS DEBATES ARFOC - FOTOJORNALISMO
(publicada em 21 de junho de 2008 no site da Arfoc-Rio)

17/06/2008 > A primeira noite do “Debates Arfoc - Fotojornalismo”, realizado por iniciativa da Arfoc-Rio em parceria com a Oi Futuro, foi um grande sucesso. Com o teatro lotado do início ao final do evento e muitos elogios pela qualidade das palestras, a platéia pode se enriquecer com intervenções relevantes que avaliaram o fotojornalismo sob “a marca na história”.
Na primeira palestra - “A Questão da Foto Histórica” - Aguinaldo Ramos, vice-presidente da Arfoc-Rio e pós-graduado em “Fotografia como instrumento de pesquisa nas Ciências Sociais” pela Candido Mendes, avaliou os relatos dos fotojornalistas convidados a indicar uma foto realizada e considerada por eles de valor histórico, o que resultou em interessantes considerações, que podem ser conferidas juntamente com as fotos no blog “A História Bem na Foto”: www.ahistoriabemnafoto.blogspot.com/
A segunda palestra, inicialmente definida como “O Registro das Comunidades”, por João Roberto Ripper, não aconteceu (por motivo de viagem a trabalho do palestrante) e foi substituída por outra - com o título “A trajetória da Agência-Escola Imagens do Povo na formação de fotodocumentaristas populares”- por Dante Gastaldoni, Kita Pedroza, Fábio Caffé e Adriano Rodrigues.
Apresentando os integrantes da Agência-Escola Imagens do Povo, Dante Gastaldoni, diretor da Arfoc-Rio e mestre em Comunicação, Imagem e Informação, pela Universidade Federal Fluminense, falou da importância do trabalho desenvolvido por aquela agência-escola na formação de alunos que produzem ou irão produzir documentos visuais das comunidades onde vivem, e a importância desse “olhar de dentro”.
Kita Pedroza, da Agência Imagens do Povo, fez um relato da atuação da agência na formação de fotógrafos nas comunidades que passam a contribuir com a visão da própria realidade, citando várias iniciativas bem sucedidas como projetos de documentação, exposições e inserção no mercado de trabalho para os ex-alunos.
Fábio Caffé, ex-aluno da agência-escola, revelou que atua como multiplicador levando o conhecimento adquirido para outros espaços e comunidades. Adriano Rodrigues, outro ex-aluno, declarou que não foi fácil superar as dificuldades, mas valeu a pena o esforço. Hoje trabalha na Assessoria de Comunicação Social da Prefeitura do Rio.
Na última palestra da noite, “O Fotojornalismo e a História”, Ana Maria Mauad, doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense, com pós-doutorado no Museu Paulista da USP, fez uma reflexão consistente sobre o tema proposto, analisando elementos de espaço-tempo relativos a três obras marcantes do fotojornalismo brasileiro: a foto do Presidente Juscelino, “presidente voador”, de Flávio Damm; a imagem do Presidente Jânio Quadros de “pés sem rumos”, de Erno Schneider e a foto de Ullisses Guimarães e Tancredo Neves em “conversações”, de Milton Guran. Imagens ricas em possibilidades de leituras e fontes de informação. Na platéia, o fotógrafo e antropólogo Milton Guran interveio com avaliações que enriqueceram o debate e elogiou a iniciativa da Arfoc, classificada por ele como inteligente e necessária.
Carla Maria, estudante de turismo e fotógrafa amadora, disse que soube dos debates pelo site da Arfoc e revelou que aprendeu muito com as palestras, afirmando que estaria presente nos próximos debates.

18/06/2008 > Repetindo o desempenho da primeira noite, “Debates Arfoc - Fotojornalismo” reuniu um grande público no teatro Oi Futuro, apesar do jogo Brasil x Argentina. As três palestras realizadas tiveram como tema de fundo “o risco do presente”, despertando bastante interesse, principalmente entre os mais jovens. O primeiro palestrante da noite, Alcyr Cavalcanti, secretário-geral da Arfoc-Rio e mestre em Antropologia pela UFF, desenvolveu o tema – Mercado de Trabalho – onde apontou as falhas e crises cíclicas do capitalismo como elementos de instabilidade desse mercado. Relatou pesquisa feita com os editores de fotografia das redações, que mostra uma sensível redução no quadro de repórteres fotográficos contratados, em relação a anos anteriores. Falou também sobre insegurança e violência, que ameaçam principalmente os que atuam em cobertura policial, citando o caso da equipe de O Dia, seqüestrada e torturada em favela do Rio. Alcyr finalizou a apresentação projetando imagens expressivas de sua autoria.
Na seqüência, Guillermo Planel, diretor do Núcleo de Imagem e pós-graduado em Comunicação e Imagem pela PUC-Rio, em sua apresentação – “A Guerra nas Ruas”- acrescentou “Fotojornalismo, violência & cidadania” ao tema. Enfatizou a afirmação de que “a ausência do Estado é a responsável pela insegurança pública e abandono social” e analisou o trabalho fotográfico de vários profissionais que atuam em áreas de conflito, projetando fotos contundentes, em que se destacaram as imagens de Severino Silva. Planel concluiu dizendo que “vivemos em dois mundos que precisam ser mostrados: a contradição entre a beleza e a violência do Rio de Janeiro”.
Fechando os debates da noite, o paparazzo Marcelo Bruno, que produziu várias capas para conhecida revista de celebridades, falou sobre o tema – "Paparazzi, Atuação e Ética" – descrevendo as etapas da atuação profissional, citando os vários tipos de fontes e os diversos expedientes utilizados para apuração de um “trabalho paparazzi”. Entre as fontes, manobristas garçons e ambulantes. Entre os expedientes, disfarces e simulações.
Na platéia do teatro, Augusto Lima, estudante de jornalismo que já atua como repórter fotográfico, elogiou a iniciativa da Arfoc e disse que estava aprendendo muito com os Debates.

19/06/2008> A primeira das três apresentações da noite, todas relacionadas com os “limites do futuro”, coube a Sérgio Blanc, gerente da filial Rio da T.Tanaka, representante oficial Nikon e Hasselblad no Brasil. Em seu tema, “As Novas Tecnologias Fotográficas”, Blanc falou sobre as novidades incorporadas aos novos lançamentos, das duas principais empresas fabricantes de equipamento fotográfico, concorrentes no mercado de fotojornalismo. Os modelos e protótipos incorporam e aperfeiçoam o controle remoto, o sistema de transmissão sem cabos e o significativo aumento do fator ISO com redução de perda de qualidade, além de maior resistência a poeira e umidade.
Falando sobre “Fotografia e TV Digital”, Daniel Andrade, vice-presidente da Arfoc-Rio e repórter-cinematográfico com larga experiência internacional na cobertura de diversas copas do mundo, olimpíadas e jogos pan-americanos, descreveu a superioridade impressionante da imagem digital gerada para a TV, que permite o recorte de um determinado “frame”, como se fosse uma foto em alta resolução. Daniel falou também sobre a redução de peso e preço dos equipamentos de última geração de imagens para TV digital e sobre o processo de transmissão dessas imagens, de forma compactada, via internet, a partir de um notebook. Isso, dispensando todos os recursos necessários anteriormente, como veículos de transmissão, antenas e satélites, além de operadores técnicos.
Fechando o ciclo “Debates Arfoc Fotojornalismo”, com a palestra “Celulares na Fotorreportagem?”, Cora Rónai, criadora do Caderno de Informática de O Globo, colunista deste jornal e da Revista Digital. Ela, que testou as primeiras câmaras em celulares e publicou um livro com fotos de mais de doze celulares diferentes, defende o uso desses aparelhos no registro e divulgação de imagens de acontecimentos que, sem esse recurso, não teriam como ser documentados. Citou como exemplos o atentado ao metrô de Londres e a passagem de tornados e tsunamis na Ásia, entre outros. “Os celulares podem estar nas mãos de todas as pessoas em todos os lugares”, afirmou Cora, que projetou várias imagens de sua autoria de alta qualidade técnica e jornalística, feitas com aqueles aparelhos. Fotos que com uma câmara tradicional seriam praticamente impossíveis por questões de impedimento e ou segurança. A jornalista concluiu sua apresentação dizendo: “o que importa no fundo, com toda a tecnologia, é o olho e a emoção”.
“Assisti a todos os debates. Foi muito proveitoso! Queria que coisas assim acontecessem com mais freqüência”, declarou ao final Aline Silveira Tobias, estudante, “apaixonada por fotojornalismo”.
Como um dos coordenadores do evento, juntamente com Aguinaldo Ramos, Vice-presidente da Arfoc-Rio, eu gostaria de agradecer a parceria Oi Futuro, citando a diretora Maria Arlete Mendes Gonçalves e equipe integrada por Roberto Guimarães e Lúcia Nascimento, pelo apoio que viabilizou o projeto “Debates Arfoc Fotojornalismo”.

Antonio Batalha
Diretor/Arfoc-Rio

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